Eu assisti recentemente Mulher Maravilha (estrelado por Gal Gadot), e isso vem me perseguindo desde então. Com base em todo o hype que envolve o filme, eu esperava me sentir empoderada e inspirada como mulher. E foi isso mesmo o que aconteceu.

Eu nunca esperava, no entanto, ficar colada na minha poltrona por mais de duas horas, vendo uma verdade bíblica atrás da outra ser retratada na tela.

Aqui estão três verdades bíblicas sobre a feminilidade que se apresentam de forma proeminente no filme:

1. DEUS VÊ A NÓS, MULHERES, COMO GUERREIRAS FORTES, NÃO COMO COADJUVANTES OU PESSOAS SECUNDÁRIAS.

O criador dos quadrinhos Mulher Maravilha, William Marston, escreveu uma vez:

"Nem mesmo as meninas querem ser meninas, considerando que nosso arquétipo feminino não tem força, capacidade e poder. [...] O remédio óbvio é criar um personagem feminino com toda a força do Superman e toda a fascinação de uma mulher boa e bela".

A Mulher Maravilha, a.k.a. Diana Prince, não é sua típica mulher fatale unidimensional.

Sim, ela gira no meio do ar, mergulha em penhascos e reduz os inimigos tão eficientemente quanto qualquer outro super-herói.

Não, ela não está assustando as pessoas com uma lingerie de couro e salto agulha (sim, estou me referindo a você, Atomic Blonde).

Mulher Maravilha é o primeiro super-herói a ser totalmente equipado em habilidade de combate, mas puramente motivado pelo amor e não pela vingança (ou alguma outra história de passado complicado e amargo).

Wonder Woman

Nunca vou esquecer uma conversa com a colega Suzy Silk, fundadora do Hope Gathering, que completou o mestrado em "Bíblia e línguas semíticas antigas", do Seminário Teológico Judaico. Em seu breve discurso de dez minutos durante uma conferência, ela destacou como a linguagem militar foi consistentemente usada para passagens bíblicas fundamentais que descrevem a identidade das mulheres: primeiro, em Gênesis 2, e depois em Provérbios 31.

Em Gênesis 2:18, Deus disse: "Não é bom para o homem estar sozinho. Eu farei uma ajudante adequada para ele". As palavras hebraicas usadas para "ajudante adequada" são "ezer kenegdo". A palavra "ezer" é um termo militar usado 21 vezes no Antigo Testamento, duas vezes para descrever Eva e três vezes para descrever Israel em suas alianças com outras nações. As outras 16 vezes em que a palavra aparece no Antigo Testamento, Deus usa a palavra "ezer" para se descrever. (Para todos os meus colegas bíblicos nerds, aqui estão todas as referências de versos onde você pode encontrar a palavra "ezer").

Deus se descreve como "ezer" durante os tempos de guerra quando Israel está prestes a perder. O salmista se refere a Deus como "ezer" quando diz: "Levanto meus olhos para as montanhas - de onde vem minha ajuda? Minha ajuda vem do Senhor, o Criador do céu e da terra "(Salmo 120: 1-2, ênfase minha).

Você entendeu isso? Deus nomeia Eva "ezer" e então Ele sempre aplica o mesmo nome para Ele. Deus é o auxílio, a ajuda forte em situações desesperadas, e nós, mulheres, fomos criadas para seguir o exemplo.

O mesmo tema é visto em Provérbios 31, que descreve uma "mulher nobre". Esta passagem é a única vez no Antigo Testamento em que a palavra hebraica "chayil" é traduzida como "nobre" porque se refere a uma mulher. Toda vez que a palavra aparece, tem a ver com soldados, e está mais perto da palavra "valente". Os poderosos homens de Davi? Eles eram "homens valentes".

Como sublinha Suzy, a linguagem militar permeia Provérbios 31: A palavra para “comprar” significa “ela caça presas e ela as traz de volta". É um termo de caça. E quando diz que "ela se veste", na verdade é "ela cinge seus lombos com força". Há muita linguagem militar nessa passagem! #MINDBLOWN.

Eu fiquei chocada quando comecei a chorar como um bebê durante uma cena de batalha chave em Mulher Maravilha, que tragicamente quase foi cortada do filme. Depois de anos estudando a palavra "ezer", não pude deixar de me sentir emocionada ao ver uma mulher realmente incorporando isso na tela. Note que a Mulher Maravilha não fez um profundo discurso antes da batalha; foi literalmente o ato de sua luta que ativou a faísca da mudança.

2. NOSSA VULNERABILIDADE EMOCIONAL COMO MULHERES É NOSSA FORÇA, NÃO NOSSA FRAQUEZA. 

Em uma entrevista sobre o filme, a diretora Patty Jenkins diz que "O melhor da Mulher Maravilha é o quão boa, amável e amorosa ela é, mas nada disso diminui qualquer poder".

Como mulher, e particularmente como artista, estou muito em contato com minhas emoções. Isso me ajuda a me colocar no lugar dos outros e ser sensível às pessoas que me rodeiam. Mas há momentos em que eu posso me deixar levar por minhas emoções e me sentir ferida ou decepcionada mais profundamente do que, digamos, meu marido, Moisés. Então não é uma surpresa eu chegar ao ponto de lamentar completamente ter emoções.

Há vários momentos no filme em que Diana é esperançosa e emocional, chegando até a ser ingênua. Mas a compaixão da Mulher Maravilha é sem dúvida sua maior superpotência. Ela realmente ama as pessoas e aproveita a vida (sorvete, alguém?). Ela é uma otimista, e seus valores supremos são esperança e amor, apesar do mal que ela testemunha. Essa ternura é definitivamente uma qualidade que falta na maioria dos outros colegas da Marvel e DC Comics (exceto, talvez, o Capitão América).

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A filósofa cristã Alice von Hildebrand escreve em seu livro O Privilégio de ser Mulher: "As lágrimas são a resposta adequada à brutalidade, à injustiça, à crueldade, à blasfêmia, ao ódio. Cristo chorou quando viu Jerusalém, e quando chegou ao túmulo de Lázaro".

Não há vergonha em nossa sensibilidade se até mesmo Jesus chorou.

Como escreve von Hildebrand, nós mulheres somos chamadas a "purificar [a nossa] sensibilidade dada por Deus e direcioná-la para os canais adequados. [Nós] devemos lutar contra lágrimas piegas e orar por lágrimas sagradas - lágrimas de amor, de gratidão, de contrição".

Diana nunca está paralisada por suas emoções, nem se ressente com elas. Em vez disso, ela as usa como um catalisador para agir e para defender os fracos e inocentes.

Que lembrete para mim de que minha sensibilidade me permite conhecer mais sobre a condição humana, permitindo que eu me torne uma escritora melhor. Sem contar que, sem minhas emoções, não seria capaz de simpatizar tão facilmente com os outros; nem poderia orar em nome dos outros tão profundamente e especificamente quanto faço atualmente.

3. QUANDO NÓS MULHERES NOS MANTEMOS FIRMES EM NOSSA IDENTIDADE E CHAMADO DADOS POR DEUS, EM VEZ DE ACATAR AOS RÓTULOS ARTIFICIAIS DOS OUTROS, PODEMOS MUDAR O MUNDO. 

Assim que Diana deixa sua casa utópica da Amazônia, ela colide com a dura realidade do desabamento do mundo real, especialmente na guerra.

Seu idealismo parece fora de lugar aqui, e em todos os lugares em que ela vai, ela ouve "Não".

Em casa, sua mãe, motivada pelo medo, diz que ela não está pronta. No caminho para a linha de frente, cada homem que ela conhece diz "não". "Não, você não pode entrar na sala de guerra; não, você não pode lutar contra Ares; não, você não pode carregar sua espada na rua".

Durante o momento decisivo do filme, ela está pronta e disposta a ajudar, mas mais uma vez ouve "não".

Longe de escurecer a luz nos olhos, este "não" final só consegue acender um fogo nos olhos de Diana.

Aqui sua missão se torna realmente sua e ela não está mais vinculada pelas limitações ou expectativas dos outros. Ela pode ser exatamente quem ela foi criada para ser.

Eu sou culpada ao deixar que outros determinem quem eu serei, em vez de ouvir a única opinião que importa: Deus. Para piorar as coisas, todas as vozes que competem pela minha atenção se contradizem.

Como uma imigrante asiática de primeira geração, dizem-me que siga minha carreira e aproveite todas as oportunidades aqui na América ("Mas não se esqueça de fazer todas as tarefas domésticas").

Como uma mulher imersa na cultura cristã americana, eu preciso ser auxiliar do meu marido, ter um plano de menu digno de Pinterest e decoração para o lar. E "Lembre-se, ser mãe é o seu maior chamado".

Eu não discordo necessariamente de nenhuma dessas coisas, mas eu aprendi da maneira mais difícil que é impossível fazer todas essas coisas bem, ao mesmo tempo. Então, a única coisa que posso fazer é ser suficientemente sensível ao Espírito Santo para discernir o que eu sou chamada para fazer a cada momento.

No meio da minha confusão, é disso que tenho certeza:

  1. Do chamado de Deus para usar minha escrita para fazer verdades bíblicas simples, especialmente para mulheres jovens.
  2. Do chamado de Deus para eu ser uma esposa amorosa para Moisés e uma mãe de todos os dias para meus filhos.

Todo o resto é praticamente opcional.

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O que a atriz Gal Gadot diz sobre seu personagem pode ser verdade para todas as mulheres: "Ela pode ser sensível e a maior guerreira de todos os tempos. E forte e confusa. Ela pode ser tudo aquilo de uma maneira muito bela".

Tradução: Mariana Romais
Fonte original: Marilette Sanchez

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