Acredito que uma das maneiras mais fáceis de incapacitar uma pessoa é fazê-la ficar ansiosa.

Não estou falando sobre um transtorno de ansiedade, aquele que é diagnosticável e tratável por terapia ou remédios. Estou falando sobre uma ansiedade geral, de se preocupar, de fazer perguntas como “e se …?”, que são parte da vida diária. Estou falando sobre o desconforto causado pela mente, quando ela anda mais rápido que a boca ou qualquer lógica, se preocupando sobre o dia de amanhã, sobre tudo o que não sabemos ou sobre o que poderia acontecer.

A Bíblia não se cala a respeito da ansiedade: ela fala muito sobre preocupação, sobre a fidelidade de Deus e como devemos responder a isso. Confira abaixo algumas maneiras de como a Bíblia aborda o assunto.

 

1. Somos Cuidados

Muitas vezes, na igreja, a preocupação é vista como um pecado. As pessoas não gostam de falar sobre isso, o que quase a torna um tabu. Afinal, quando elas abrem o jogo, recebem soluções rápidas e simples, como: “Deus é bom!” ou “Tenha mais fé!”. A Bíblia, por outro lado, é gentil em relação ao que se preocupa. Em 1 Pedro 5:7 está escrito:

Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês“.

Em Mateus 11:28, Jesus, de braços abertos, chama os cansados e oprimidos para virem a ele, porque ele lhes trará descanso. Sheldon Vanauken, autor de Misericórdia Severa, escreveu: “Para acreditar com certeza, é necessário começar duvidando”. Em um mundo onde o bem e o mal, a alegria e sofrimento existem tão dolorosamente perto um do outro, fica muito difícil de acreditar em um Deus soberano sem fazer perguntas difíceis primeiro. Frequentemente essas perguntas são feitas em meio à dor, ao luto ou à ansiedade.

É tão tranquilizante saber que, em invés de Deus nos olhar a distância, de olhos arregalados e braços cruzados, esperando que a gente se vire e resolva tudo, Ele “cura os de coração quebrantado e cuida das suas feridas.” (Salmos 147:3). Eu amo a  imagem de Salmos 56:8:

“Tu sabes como estou aflito, pois tens tomado nota de todas as minhas lágrimas. Será que elas não estão escritas no teu livro?”

Eu creio que Deus é muito mais gracioso, gentil e compadecido em relação ao nosso coração ansioso do que conseguimos entender. Memorizar as escrituras nos dá uma pequena abertura para receber esse amor, que é como um oceano vasto e infinito.

Em Um Círculo de Silêncio a autora Madeline L’Engle fala que todos nós temos medo do escuro. Pense comigo: Se a preocupação, no fim das contas, vem de um medo de não estar no controle, então dormir e perder a consciência não seria o maior ato de entrega? Porém, mesmo na escuridão, sempre, sempre existe luz. Na mais escura das noites existe a melhor visão das estrelas. Talvez, mesmo que Deus tenha criado a noite e não haja nada para temer nela, Ele nos deu as estrelas para iluminá-la, porque ele sabe que poderíamos ter medo mesmo assim.

 

2. Deus é sempre Fiel

Se Deus é soberano sobre nós, então ele tem autoridade sobre nossas vidas, o que significa que ele é responsável por cuidar de nós. A Bíblia diz que Deus é fiel, pois fidelidade é permanecer leal e firme.

“Suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade!”(Lamentações 3:22b, 23).

Quando estou preocupado ou ansioso sobre algo, normalmente escrevo esta situação em um pedaço de papel. Depois, escrevo todas as situações em que Deus tem sido fiel a mim nos últimos 6 meses. No momento em que eu termino essa lista, aquilo que me preocupa de repente se torna minúsculo. Se Deus tem sido fiel de todas essas maneiras, então com certeza ele será fiel novamente. Focar na fidelidade de Deus, em vez da nossa preocupação, é um antídoto contra ansiedade. Quando escolhemos “Alegrem-se sempre. Orem continuamente. Deem graças em todas as circunstâncias.”(1 Tessalonicenses 5:16-18), não simplesmente completamos a vontade de Deus para nós, mas nos preocupamos menos.

 

3. Não estamos sozinhos

Uma coisa que realmente me atinge sobre a oração de Jesus é que ele começa com “Pai nosso”. Se existem duas palavras que conseguem apagar a ansiedade melhor que estas, ainda não as encontrei. Primeiro, porque elas significam que temos um pai, ao qual podemos nos voltar: um Deus, imensuravelmente grande e gentil, cuja graciosidade inunda as áreas em que somos fracos. Em segundo lugar, porque ele é nosso.

Existem tantas coisas nessa vida que me assustam, por eu pensar que preciso fazê-las sozinho. Ele é nosso Pai. Vocês são meus irmãos e irmãs. Compartilhar as alegrias e tristezas uns com os outros é mais do que ser compadecido. É sermos nós mesmos, da maneira mais verdadeira. Somos seres comunitários, destinados a estar constantemente em comunhão. Quando realmente nos importamos uns com os outros, e dividimos nossas cargas, possivelmente não estejamos somente sendo queridos. Talvez estejamos abraçando aquilo para o qual fomos criados. Nós afastamos a ansiedade quando agimos como um só, unidos no corpo de Cristo.


Traduzido e Adaptado por Stefan Moser. Original aqui.