Não somos mais os mesmos.

Tivemos um encontro face a face com Deus, ouvimos a Sua voz e sentimos o Seu amor. Repentinamente, os nossos desejos e objetivos mudam. Aquilo que fazia com que nos sentíssemos felizes parece já não ter mais graça. Até mesmo os nossos maiores medos parecem pequenos perto daquilo que está diante de nós.

Isso normalmente é o que acontece quando temos uma “experiência” com Deus. Porém, o momento acaba; e quando isso acontece, devemos nos perguntar: podemos viver toda a nossa vida e mudar completamente quem somos baseados numa só experiência?

Infelizmente, a resposta é não. Quando a experiência acaba, nós não somos mais os mesmos, mas é provável que tudo o que nos cerca não tenha mudado. Iremos voltar para casa com os mesmos problemas, enfrentar o mesmo chefe autoritário no trabalho, ser testados diariamente nas nossas falhas de caráter e esbarrar nas mesmas dificuldades de sempre.

Então, para que serve uma experiência com Deus? A experiência, por si só, não tem o poder de nos tornar imitadores de Cristo, mas com certeza nos torna admiradores dEle, e isso muda a nossa visão. É impossível viver os nossos dias da mesma maneira que vivíamos antes sem que isso nos incomode. A cada vez que deixamos de aplicar algo que Ele nos falou, nos sentimos mais vazios; mas, quando obedecemos a Ele, nos sentimos plenos. Nesse ritmo, entre erros e acertos, vamos nos rendendo a Ele e nos tornando cada vez mais parecidos com Cristo.

Ainda há uma jornada a enfrentar, mas não a enfrentamos da mesma maneira que antes; agora, temos certeza do amor de Deus por nós e podemos confiar que a Sua graça transformadora vai nos guiar em tudo o que for preciso.

O segredo, então, é buscar tornar realidade no nosso dia a dia aquilo que Deus pôs no nosso coração. Para isso, confira 3 práticas que fazem parte da vida de todo o cristão que quer viver uma vida totalmente entregue ao seu chamado:

1)    Relacionamento com Deus:

Uma experiência com Deus não é suficiente para criar um relacionamento maduro com Ele. Não importa quão forte ela seja, isso é algo que leva tempo.

A boa notícia é que conhecer a Deus não é difícil, Ele não é complicado e não costuma deixar as nossas perguntas sem respostas (Jr 29:13-12).

O primeiro passo nesse relacionamento é conversar com Deus; ou seja, orar. Nessa conversa, contamos o que tem acontecido conosco e explicamos as nossas dúvidas, adoramos a Sua bondade e clamamos pela Sua ajuda. Evite seguir um o roteiro na sua oração ou ser formal demais; na bíblia, podemos ver que o que mais agrada a Deus é ouvir um coração sincero, mesmo que isso signifique não ouvir as melhores palavras.

O segundo passo é a leitura da bíblia. Por mais estranhas que as Escrituras possam parecer nas primeiras vezes que a lemos, é impossível conhecer a Deus sem ela. Nela estão todas as verdades e princípios com os quais devemos viver as nossas vidas. Além do mais, há histórias de homens que entenderam seu chamado em Deus e entregaram tudo o que tinham para servi-lo.

Quando entendemos o que a bíblia representa, não é difícil ler; na verdade, se torna inspirador lê-la, e é difícil parar.

Por fim, inclua o jejum na sua rotina. Não precisa ser necessariamente de comida, mas procure deixar momentaneamente de lado algumas coisas que tomam muito tempo do seu dia, e utiliza esse tempo sobrando para ter momentos de qualidade com Deus.

É importante lembrar que não devemos jejuar para tentar pedir algo de Deus, ou até mesmo para tentar atingir um grau de “santidade”. Jejue porque você prefere abrir mão das suas atividades diárias para estar com Ele.

2)    Não enfrente nada sozinho:

Agora já sabemos que devemos ter um relacionamento de intimidade com Deus, mas é só com Ele que devemos nos relacionar? Não, não é. Não existem igrejas de um homem só, assim como ninguém é chamado para caminhar sozinho.

Em Atos 2, logo após o acontecimento de Pentecostes, entre os versículos 44 ao 47, fica claro que a união era uma marca da igreja primitiva; eles não faziam nada sozinhos. Eles comiam juntos, riam juntos, oravam juntos, choravam juntos e faziam a vontade do Pai juntos.

Com os nossos estudos e trabalhos, muitas vezes vivemos uma vida corrida e deixamos de nos dedicar aos nossos relacionamentos como deveríamos. Por isso, procure ter uma ou mais pessoas com quem possa manter contato durante a semana e compartilhar tudo o que tem vivido, tanto as coisas boas como as ruins. É importante, também, que essas pessoas que nos acompanham sejam maduras e que nos incentivem, ao invés de nos deixarem desmotivados.

Eu tenho procurado tomar pelo menos um café por semana com um dos meus líderes, e isso é essencial para passar por toda a semana sem perder o foco. Muita dessas conversas têm conseguido deixar dias pesados ficarem muito mais leves.

3)    Saia da zona de conforto:

Essa é provavelmente a parte mais difícil, e é onde a maioria de nós pensa duas vezes antes de dar o primeiro passo. Não é fácil largar aquilo que nos dá uma sensação de segurança. E muitas são as coisas que, apesar de nos darem segurança, estão impedindo o agir de Deus em nós: pode ser um emprego, um curso na faculdade, a nossa casa, hábitos errados, relacionamentos improdutivos, nossos sonhos, nosso orgulho.

Deixar essas coisas de lado é um processo complicado, que muitas vezes nos causa dor, mas é uma realidade que todo cristão enfrenta em algum momento da sua caminhada.

Pedro, um homem sem estudo e sem reputação social, foi chamado a largar o seu trabalho e família para seguir um marceneiro que afirmava ser o Filho de Deus, e, posteriormente, teve a responsabilidade de tornar-se o líder da igreja. Paulo, um fariseu famoso por prender e autorizar a morte de cristãos, foi chamado a pregar o evangelho da graça de Deus e a chamar de irmão aqueles a quem um dia perseguiu. Timóteo, ainda muito jovem, foi escolhido para cumprir uma tarefa que homens mais velhos e mais experientes haviam falhado. Todos esses homens foram chamados a realizarem grandes sacrifícios por Deus, e com certeza isso não foi fácil, mas também não ficou sem recompensa. Na bíblia, fica claro que eles foram supridos em todas as suas necessidades, e que, ao final da vida, estavam tranquilos, tendo certeza de que cumpriram o seu propósito na Terra (2 Timóteo 4:7-8).

Portanto, não desprezem a experiência que tiveram com Deus, deixando que ela seja passageira. Pelo contrário, façam ela valer, criando um relacionamento maduro com Ele, e inspirando outras pessoas a fazerem o mesmo. Aproveitem que vocês já não são mais os mesmos, e passem a viver de maneira diferente.

Rafael Lazzari