Minha primeira experiência com “aquelas sensações” aconteceu quando eu tinha uns 10 anos de idade. Eu estava na casa de um amigo e não tinha absolutamente nenhuma ideia do que eu estava fazendo ou como eu sabia para onde deveria ir, mas eu segui diretamente para a suíte principal e estiquei minha mão entre o colchão e a cama. Como se eu já tivesse feito aquilo milhares de vezes antes, eu senti as folhas e as puxei para fora. Sentando sozinho ao lado da cama, me encontrei folheando a primeira revista Sport’s Illustrated Swimsuit Issue, que já tinha visto em toda minha vida.

E enquanto eu sentia o meu corpo explodir, eu sabia... Eu jamais seria o mesmo novamente.

“Garotas podem se parecer assim?! QUE?! ELAS USAM ESSE TIPO DE BIQUÍNI?!! ISSO É ESPETACULAR!!!! Eu preciso me apressar! Preciso passar por todas essas folhas!! EU PRECISO VER MAIS!! E mais, e mais, e... Espere.

O que está acontecendo dentro das minhas calças?! Bom, isso nunca tinha acontecido antes.”

Quanto mais eu olhava para aquilo, melhor eu me sentia. Eu cheguei ao final e, relutante, mas de certa forma apressado, fechei a revista, gentilmente a coloquei no lugar secreto ao qual pertencia e caminhei para fora do quarto. Ninguém sabia o que os meus olhos tinham visto... Exceto eu. Eu tinha provado a beleza do corpo feminino.

E foi sensacional.

Aquele momento, em que eu ainda era um pequeno adolescente, foi o início da minha relação com a energia sexual. Antes mesmo de eu estar familiarizado com a anatomia do corpo feminino, eu já estava familiarizado com imagens de garotas – assim como praticamente todos os homens no mundo. A origem do prazer sexual para a maioria dos garotos se dá por fotos e filmes, e a euforia que é liberada com a estimulação visual nos remete àquele comportamento sexual até que, infelizmente, ele se torna um vício.

Mas eu não estou convencido de que meu vício era com a pornografia. Na verdade, eu acredito que todo vício relacionado à pornografia começa com a expectativa de experimentar aquilo que o coração realmente deseja...

Que é ter uma conexão profunda com alguém.

ESPOSAS & NAMORADAS:

Pornografia não é sobre você não ser suficiente.

Nunca foi e nunca será. Eu me arrisco em dizer que você já lidou com o fato de não se sentir suficiente antes mesmo do seu namorado ou seu marido entrarem em cena, e que esse possível vício com a pornografia faz um excelente trabalho em reforçar esse pensamento. Minha luta pessoal parecia reforçar a insegurança da Christa (esposa) no início do nosso casamento. Mas lembre-se, você, mulher, provavelmente sentiu que não era suficiente muito antes de seu parceiro começar a fazer parte da sua vida, e eu garanto que ele já havia sido estimulado visualmente por imagens sexuais muito antes de você aparecer.

Então vamos fazer uma matemática simples...

Se você se sentiu inadequada diante dele, e ele foi estimulado sexualmente por imagens antes de você chegar...

Então pode apostar que a luta dele com a pornografia não é sobre você.

# MEU VICÍO:

Meu vício com pornografia começou assim como a maioria dos garotos – com as facilidades da internet. Eu tinha dezesseis anos, era curioso, e com um típico corpo de homem, dado por Deus, carregado de hormônios e energia sexual. Mas mais profundo do que os hormônios, eu sabia que a essência do meu vício estava carregada de raiva e tristeza pelo fato de eu não ser bom o suficiente. E por eu não me sentir adequado na maioria das áreas, era bom escapar daquela dor emocional estimulando o meu próprio prazer.

A raiva sempre implode quando não lidamos com a tristeza profunda.

Eu estava com raiva (triste) porque mesmo eu ralando nos estudos da escola, eu não conseguia tirar mais do que um C em matemática... NUNCA. Eu estava com raiva (triste) porque eu não tinha um carro como os meus amigos, e por isso tinha que dirigir a minivan marrom amarelada da minha mãe. Eu estava com raiva (triste) porque eu não me sentia compreendido por aqueles que mais deveriam me conhecer e me amar. Com toda essa raiva e toda essa tristeza rodeando e inflando o meu coração, eu nunca era honesto comigo mesmo – ou, na verdade, nem sabia como ser. Eu simplesmente deixei minha dor emocional controlar meu comportamento. E de tempos em tempos, aquela dor emocional me levava diretamente para os braços destrutivos da pornografia, anestesiando a tristeza em meu coração e me fazendo negar como eu realmente me sentia.

Dor emocional sempre te leva a alguma coisa.

Então, para onde sua dor emocional tem te levado?
 

# A NECESSIDADE DE CONEXÃO:

Aos meus olhos, a pornografia é uma conexão. É uma falsa conexão, obviamente, mas ainda assim é uma tentativa de se conectar. E se você é viciado em pornografia, eu garanto a você – suas ações revelam o REAL desejo do seu coração de se conectar com alguém. Mas quando essa dor dentro do coração não é compreendida, a pornografia se torna um substituto inadequado para a conexão real. A pornografia pode ser boa por um momento – mas ela nunca preenche o vazio da dor. A dor de conhecer e ser conhecido. A dor de desejar ser um com alguém.

E se o seu problema com pornografia nunca foi sobre o comportamento de olhar para algo, mas ao invés disso, tem a ver com a necessidade de ser conectar com alguém? Quando colocamos o nosso problema centrado no comportamento ruim, nós introduzimos o conceito de certo e errado. Mas veja, sempre que há um “errado” no meio da história, imediatamente você cria um potencial para ficar envergonhado (ou “tapa-nudez” como eu gosto de falar pela perspectiva de Adão e Eva).

Você está ERRADO, vista a sua folha! Esconda sua vergonha!

Eu estou ERRADO, onde está a minha folha?! Eu deveria estar envergonhado de mim mesmo.

Você não pode ter um “mau comportamento” sem junto ter um “comportamento vergonhoso

E o que a vergonha sempre faz?
 

# ALIMENTANDO A VERGONHA:

Quando eu olhava pornografia, como a maioria das pessoas, eu imediatamente sentia vergonha.

Pornografia > Vergonha > Necessidade de conexão > Mais pornografia > Mais vergonha > Mais necessidade de conexão >

Eu chamo isso de alimentar a vergonha. Você faz algo da qual sente vergonha e o seu coração implora por conexão – de fato, a única coisa que mata a vergonha é imediatamente se conectar com o AMOR. Quando não se entende isso e a pornografia é vista como uma conexão, nós corremos para a pornografia ao invés do amor, nunca estamos satisfeitos e o ciclo é interminável.

Alimentar a vergonha não acaba com a decisão “espontânea” de não olhar pornografia. Isso é uma mudança de comportamento, e não funciona para resolver o problema todo – que é o seu profundo desejo de conexão.

O ciclo de “alimentar a vergonha” SÓ é interrompido conectando-se com o AMOR.
 

# COMO EU ME CONECTO COM O AMOR?

Aqui é onde as coisas começam a ficar reais na conversa, e onde a maioria das pessoas começa a dar para trás.

Durante um tempo, eu tentei consertar minha falsa conexão com a pornografia me conectando primeiramente com Deus. E mesmo que isso soe maravilhoso na teoria e muito cristão da minha parte, não deu certo. Como eu poderia ter me conectado com Deus sem primeiro me conectar com o meu próprio coração? É como tentar ligar uma lâmpada sem antes ligá-la na rede elétrica. Existem muitos que acreditam que irão consertar sua falsa conexão com a pornografia conectando-se com sua esposa ou sua amada, e acredite, isso não irá funcionar também.
O seu coração não é capaz de se conectar com outros, se não está conectado com ele mesmo.

A grande razão pela qual vemos pornografia é porque, em algum ponto, deixamos de nos conectarmos com nós mesmos. Não fomos honestos conosco. Não nos conectamos com a nossa dor.

E a essência da dor é... muito mais profunda, não acreditamos que somos bons o suficiente para sermos amados.

É o seguinte, pessoal. Algo dentro das nossas feridas nos leva a crer que não somos capazes de sermos amados. Nós estamos ERRADOS. Nós somos VERGONHOSOS. Nós NÃO SOMOS SUFICIENTEMENTE BONS DO JEITO QUE SOMOS. Quando algo dentro de nós acredita que não somos amáveis, então por que deixaríamos qualquer um comprovar esse fato? Por que tentaríamos nos conectar de maneira profunda, íntima e de um jeito completamente honesto com alguém – arriscando a rejeição?

Pornografia nunca é só sobre a pornografia. É realmente sobre alguém acreditar que não é capaz de ser amado. Você irá se voltar para algo que parece amor e conexão se não acredita que será amado com uma conexão.

E esse foi o motivo pela qual eu recorri a pornografia por tantos anos. E esse pode ser o motivo pelo qual você está recorrendo à pornografia agora.
 

# A SOLUÇÃO:

A última semana da minha vida se resumiu a tirar o lixo para fora. Apareceu um vírus no meu computador e ele teve que ser restaurado, nós vendemos um carro que precisava de pequenas revisões há seis anos, meu armário era um abismo onde eu guardava desde baterias usadas a miniaturas de aviões... até milhares de canivetes que eu não precisava. Quanto mais eu reforçava a limpeza interna em meu coração que havia começado no último ano, mais eu queria que o mundo externo refletisse a clareza que estava se instalando por dentro.

Eu avisei a Christa antes de ficar pior, “Querida, estou numa limpeza profunda essa semana, e vai ficar ainda muito pior antes de ficar ótimo!”. Eu tirei tudo que havia em meu carro e em meu armário, acumulando tudo na entrada da nossa casa para deixar lá... por dois dias inteiros. Toda vez que eu passava por aquela bagunça, eu me obrigava a encarar aquilo, lembrando o quanto aquilo me fazia sentir horrível.

ENOJADO! Isso tudo faz eu me sentir ENOJADO! POR QUE EU FAÇO ISSO?! Eu amo canivetes, mas eu realmente preciso de 40 desses? Eu adoro lanternas, mas quem precisa de 17? Eu nem gosto de passagens de avião, mas eu as acumulo nesse armário desde 2013... COMO ASSIM?!?!?!

Toda vez que eu passava por aquela pilha de coisas eu entrava nesse processo interno – realmente lembrando de como aquela sujeira fazia eu me sentir. Eu queria que o meu coração fosse sincero enquanto olhava para aquela bagunça – que estava visível para todos aqueles que entravam pela nossa porta. A bagunça que minha família podia ver – minha esposa e minhas crianças. Mas o mais importante, a bagunça que eu não podia mais evitar. Eu tinha que me conectar com a minha bagunça, senti-la, abraçá-la – para parar de negar a sua existência.

Eu tinha que ME aceitar com a minha bagunça – assim como eu era.

Todas as vezes em que eu olhei para aquela pilha de coisas na entrada, eu me senti exposto, constrangido e envergonhado, me fazendo querer correr para a fácil sensação de falsa conexão que a pornografia proporciona. Mas então eu me lembrei do quanto me fez sentir igual a quando me sinto depois de olhar pornografia.

Desconectado. Não amado. Vazio.
 

# A PRÁTICA:

1. Seja você homem ou mulher, solteiro ou casado, esse problema com a pornografia é sempre uma expressão da mesma coisa: Nós não acreditamos que somos bons o suficiente para o amor. Se você algum dia quiser ser livre, você vai ter que fazer o que eu fiz com o meu armário. Você vai ter que jogar sua luta na entrada de sua casa e expô-la ao amor. Eu não estou falando sobre o amor incondicional de Deus. Eu não estou falando do amor de uma esposa. Eu estou falando sobre VOCÊ ACEITANDO QUE É UMA PESSOA QUE OLHA PORNOGRAFIA – SEM TER VERGONHA.

Você tem que parar de negar que adora pornografia, porque você gosta (mesmo que odeie o que ela provoca em você). Você tem que parar de negar que faz você se sentir bem, porque ela faz você se sentir bem – temporariamente. ABRACE ESSA REALIDADE. Ponha a pilha de sujeira da realidade na entrada... e conecte-se com isso.

Diga isso em voz alta, “Meu vício me ajudou a COOPERAR COM A MINHA dor, mas não me ajudou a SUPERÁ-LA. CORAÇÃO, eu estou me conectando agora com você em sua dor, e eu aceito onde você está.”

 2.      Quando você começar a sentir que isso te impulsiona para a pornografia, PARE.

Respire fundo e feche seus olhos. Coloque a mão sobre seu coração físico se quiser, conectando-se profundamente com ele. Sinta a grande pilha de sujeira, a bagunça, os anos de desordem dolorosa – E CONECTE-SE COM ISSO NOVAMENTE.

E então diga isso em voz alta: “Mesmo que o meu vício me dê a sensação de CONEXÃO no momento, irá DESCONECTAR meu coração daquilo que eu realmente quero – e eu quero ser conhecido, visto e amado. Isso começa comigo – e eu conheço você, vejo você e eu amo você neste momento.”

3.      Conectando-se com Deus.

Eu entendo ser mais importante me conectar comigo mesmo antes de tentar me conectar com Deus. Esse é apenas outro nível de adoração “em Espírito e em VERDADE”. Quando eu sei a verdade sobre mim de uma maneira profundamente mais honesta, eu posso receber verdadeiramente a aceitação de Deus.

Mantenha a mão sobre seu coração e diga isso em voz alta: “Agora que eu me aceitei com minha bagunça, Deus, eu recebo e aceito o TEU amor. Eu sinto a tua aceitação e amor nesse momento.”

Lucas Gifford*

* Lucas Gifford é líder na clínica de tratamento cristã Gold Monarch (EUA) e casado com Christa Black
 escritora e musicista que já trabalhou com Jesus Culture, Kari Jobe, Michael W. Smith, Passion, entre outros.

Traduzido e Adaptado por Daniela Wecki. Original aqui.