Tenho vários amigos que são bastante inteligentes. Eles não apenas conhecem muitas coisas, mas eles sabem o que fazer com cada uma dessas informações armazenadas em seus cérebros. Eles fazem conexões, resolvem problemas e têm insights brilhantes! Na maior parte do tempo, ficar perto deles é inspirador.

Eu digo "na maior parte do tempo" porque, quando estou com eles e eles estão em uma conversa com outras pessoas com mentes brilhantes, na maioria das vezes eu fico completamente perdido. Eu os ouço falar e aceno com a cabeça no ritmo da conversa, mas a verdade é que estou perdido. Eventualmente, reconheço que a minha única contribuição no momento é fazer perguntas que interrompem o fluxo da conversa. Sendo assim, eu escolho permanecer em silêncio.

Você já esteve em um lugar no qual as pessoas estavam em uma conversa e falavam de conceitos e usavam expressões que iam além da sua compreensão? Uma sensação de que mesmo que parecesse que o que estava sendo dito parecesse interessante, você não tinha nenhuma forma de saber se o que estava sendo dito era, de fato, interessante?

Eu fico imaginando que esse deve ser o mesmo sentimento que as pessoas que não estão habituadas ao cristianismo têm quando estão perto de cristãos. Usamos expressões, frases e referimo-nos a conceitos que significam algo bem claro para os que estão familiarizados com o cristianismo - mas que não têm nenhum significado para aqueles que não compartilham a mesma fé que a nossa.

Muitas vezes, nós supomos que os outros estão familiarizados com a nossa própria linguagem. Isso precisa parar. Temos de aprender a conhecer outras pessoas em seus próprios conceitos e falar em uma linguagem que elas possam entender.

Uma das perguntas mais comuns que ouço como pastor é: "Como eu deveria falar sobre minha fé aos meus amigos?". Essas perguntas muitas vezes acontecem porque estamos imersos em nosso modo de pensar e falar a respeito de Deus. O desafio diante de todos nós é entender como a cultura (de uma maneira mais ampla) pensa e fala, para podermos, então, chegar até eles - onde quer que eles estejam.

Há um maravilhoso exemplo disso no livro de Atos. Paulo visitou Atenas e não perdeu tempo em começar a engajar os cidadãos de Atenas na conversa. Ele falou com eles – mas, o mais importante: ele os ouviu. Alguns dos cidadãos acreditavam que ele estava discursando algo sem sentido, mas outros queriam ouvir mais, de modo que o trouxe para o mercado de ideias — um lugar chamado Areópago.

Você pode até pensar que Paulo se levantou e "apresentou o Evangelho", ou disse que eles eram pecadores, ou que tinha proclamado "o sangue de Jesus", ou lhes disse como chegar ao céu depois que eles morressem, ou citado versículos da Bíblia para apoiar seu argumento. Mas ele não fez nada disso.

Em vez disso, Paulo reconheceu e afirmou sua dedicação religiosa e afirmou a eles que já adoravam a Deus. Ele nunca mencionou Jesus pelo nome e só se referiu a Jesus como um "homem". Ele não citou as Escrituras. A única coisa que ele citou foi os poetas pagãos para apoiar suas afirmações sobre Deus (Atos 17: 22-31).

Se fizermos uma pausa e olharmos com atenção para o que Paulo disse, podemos aprender algumas coisas.

1. Primeiro Ouça

O passo inicial de Paulo não foi o julgamento. Antes de falar na reunião do Areópago, ele passou um tempo na cidade de Atenas observando cuidadosamente o costume do povo, ouvindo e fazendo perguntas. Ele fez isso sem condenação ou julgamento. O que significa que Paulo estava aberto.

Como Paulo, nós temos que estar abertos se quisermos falar de Deus sem que isso seja estranho. Precisamos ser curiosos, fazer perguntas, admitir nossa ignorância, ouvir, observar e aprender sem julgamento ou condenação, para que possamos ver o que os outros veem. Durante todo esse tempo nós poderíamos nos perguntar: "onde é que vemos Deus nisso?".

2. Desista da necessidade de provar que você está sempre certo

Paulo estava menos interessado em provar que o seu ponto de vista era o correto - ele estava mais interessado em saber o que o povo de Atenas achava certo do ponto de vista deles. É por essa razão que ele foi capaz de afirmar seu ponto de vista. Este é um passo importante para falar de Deus.

Há uma infinidade de exemplos de cristãos que querem estar sempre certos, vencer o argumento e provar sua opinião. Esta atitude está ausente em Paulo. Na verdade, ele começa dizendo: "Isto é o que vocês têm do que é o correto." O que aconteceria se começássemos a partir desse lugar? Como seria se mudássemos nossas conversas? Minha aposta é que as pessoas seriam muito menos defensivas.

3. Use a linguagem deles

Paulo não teve a presunção de achar que um grupo de pessoas, em Atenas, que sentou em volta do mercado de ideias, saberia alguma coisa sobre sua vida, cultura, mundo ou religião. Assim, ele começou do ponto que eles estavam, e falou na linguagem que eles entendiam.

Muitas vezes, a culpa é nossa em acreditar que Deus aparece apenas em nosso contexto de igreja ou em nossa cultura cristã. Achamos que a forma com que pensamos e falamos é a melhor, e não conseguimos ver que é apenas mais uma maneira de pensar. Deveríamos reconhecer que a linha entre o sagrado e o secular é extremamente fina - e a divisão entre os dois é, em grande parte, feita por nós.

4. Procure saber no que Deus está trabalhando

Paulo compreendeu que o nosso mundo está cheio da presença de Deus. Ele tinha olhos para ver que Deus já estava em Atenas. Do altar ao "Deus desconhecido" para a história da Epimenides e os poemas de Arato, Paul viu a presença de Deus. Em vez de citar versículos da Bíblia (que teria sido um livro estrangeiro que fazia pouco sentido para os presentes), ele citou suas próprias obras literárias.

Lembre-se que o amor, a misericórdia, a beleza, a criatividade, a vida e a energia do Deus todo-poderoso estão em todos os lugares em nosso mundo. O som de Deus está sempre presente e é nosso trabalho aumentar o seu volume. Em vez de falar de Deus fazendo isso soar estranho, temos a chance de mostrar aos outros onde é que Deus está nas coisas que eles já conhecem.

E, claro, isso nos leva a mais perguntas. Perguntas como: Onde vemos Deus em nossa cultura, de uma maneira mais ampla? Qual o nosso primeiro passo quanto a isto - é a observação ou o julgamento? Que palavras, frases e ideias que precisamos abandonar para que possamos falar de Deus sem que seja estranho? Quem são os nossos poetas contemporâneos? Quais os limites que criamos entre o sagrado e o secular que precisam ser apagados?

Em vez de presumir que temos as respostas certas, não vamos nos esquecer destas questões e muitas outras que são úteis para serem enfrentadas. E, se podemos responder a estas questões, há uma boa chance de que vamos encontrar Deus nos lugares mais inesperados. E quando isso acontecer, teremos uma grande oportunidade de falar sobre nossa fé de maneiras muito melhores do que antes.

Traduzido e Adaptado por Kályton Carvalho Resende. Original aqui.